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CHINA COMO SE QUER MOSTRAR
No final das Olimpíadas, alguma reflexão. Além do espírito competitivo, surge o corpo e o movimento como abrangentes. Uma bela equilibração de forças e idéias, estabilidade na mobilidade. O visual e o auditivo (tambores), aparelhos como extensão de olhos, braços e pernas. Certo que um corpo burocratizado, pela fixação em resultados. Sempre a pergunta: E o lúdico? Quem age e o como agir, uma só coisa... com prazer? De um ponto de vista institucional, quando se encobrem mazelas da China complexa, dar respostas esperadas, o paradigma foi a burocracia. Merecemos isso? O prazer como máscara na face, injetado em clima autoritário? O apolíneo oprimindo o dionisíaco. O happening, depois do megaevento, aquele gestual solto apontava outra direção, fora do mecanicismo.
Escrito por Sandoval às 21h48
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ALARMISMO OU TOMADA DE CONSCIÊNCIA
Dizem que o mais fácil é receitar. Todos entendemos algo de doenças do corpo e da alma. Quem não dá conselhos? Olhar para o outro e não para si. Perceber a si mesmo no próprio metro quadrado, difícil. Eu me permito certa digressão. No meu contato com jovens parece que eles vêem o mundo começando agora. As coisas acontecem num crescendo aterrador. O autor de “O Mito do Progresso”, Gilberto Dupas, cita Roudinesco que “em nenhuma época o sofrimento psíquico foi tão vivo: solidão, psicotrópicos, tédio, depressão, desamparo, obesidade, uma pílula a cada minuto de vida”. Século 20 marcado pela degradação ambiente, guerra fria e medo do holocausto nuclear; tivemos Auschwitz e Hiroshima. Foi grande o abalo com relação à certeza de progresso, depois da primeira guerra (1914-1918). Um pouco de História não faz mal a ninguém. Ao contrário, pode nos ajudar a compreender a crise da modernidade. “Quanto mais se promete a felicidade e a segurança, mais persiste a infelicidade, mais aumenta o risco”. Estamos no olho da crise.
Ver a vida compreendendo significados, tarefa nada fácil. Sem isso, corre-se o risco de a gente se dissociar da realidade, de uma forma esquizofrênica. Viver de representações e simulacros não nos conduz a um melhor entendimento do mundo e da própria existência. Visão idílica do futuro, não ajuda. Isso ocorria no século 19. Utopismo tecnocientífico. A tecnologia e a ciência, espécie de religião. Preito à racionalidade iluminista e ao mercado. Mercado: Lucro, dinheiro, sempre levar vantagem. A satisfação dos melhores instintos adiada, olhar para o futuro mais do que para o presente. As conseqüências, nos dias de hoje. Número excessivo de horas de trabalho, sem tempo para o lazer criativo; concentração de renda, o quantitativo prevalecendo, o racional substitui a sensibilidade. Assuntos econômicos ocupando o maior espaço midiático. O mundo matematizado e geometrizado. Na mensuração do tempo, este passou de cíclico – fase anterior à era moderna – a linear. É preciso que as coisas sejam feitas com começo, meio e fim. Perseguem-se mais os resultados do que o envolvimento com processos. Eficácia, ao nível dos objetivos, e eficiência no que pomos as mãos. Fragmentação no trabalho (linha de produção), saber para fazer, não para se sentir agradável “sabor” no que se realiza. Estudantes atormentados, na busca do poder que está por trás das respostas esperadas. Pouca organicidade pelo fato de o indivíduo não se identificar com as próprias ações. Subproduto do Sistema: espécie de sucata humana. Só resta dizer: crise é risco e oportunidade. Para os que dizem que não há saída: A entrada é abordar a existência como consciência do mundo. Cada um de nós é a medida, já que a modernidade adora essa palavra dentro de uma racionalidade instrumental.
Escrito por Sandoval às 19h36
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Grupo de Teatro Ipansotera
Aquecimento nas Oficinas Livres de Teatro (FESB), último sábado, para o ensaio da peça Terra Árida.
Escrito por Sandoval às 09h23
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É HOJE

Escrito por Sandoval às 10h49
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Bossa Nova é Samba
Comum pessoas fazerem apologética ao criticar ou analisar. Penso no caso de João Gilberto, autor de um novo mundo musical, como observa Nelson Motta. Criticá-lo pelo temperamento ao reclamar de "vaia de bêbado", ou do ventinho no Carnegie Hall de Nova York, de ruídos... é negligenciar o cuidado que ele tem com o som da voz e do violão. Isso para o nosso deleite. Voz e violão... O menor detalhe é do tamanho do todo (continuo citando Nelson Mota). João faz concertos na Europa, não só em Roma, mas em Paris e em Montreux e Lisboa. Tem cerca de 200 músicas, várias delas em diversas versões: "o melhor repertório jamais gravado por um intérprete brasileiro, a mais bela e rigorosa antologia de nossa música popular" (Nelson Motta, Folha, 15/8/2008).
Escrito por Sandoval às 10h45
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O desejo é estender minha profunda gratidão ao encontro sincrônico com pessoas inesquecíveis com as quais foi reforçada em mim a necessidade de transformação pessoal. Uma delas, a mais recente, é João-Francisco Duarte Jr.
Escrito por Sandoval às 09h42
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VISITA IMPORTANTE
O cineasta David Lynch esteve entre nós. Autor de filmes que marcaram época – “Homem Elefante”, “Veludo Azul”, para citar alguns. Considerado complexo e um tanto impenetrável, como a série noir “Twin Peaks”. Revendo “Cidade dos Sonhos”, pouco digerido por mim, descubro a pérola que se encerra ali: Toda uma descontinuidade; de narrativa até linear indo para o surreal (sentido no sem sentido); aprofunda “Veludo Azul” (aquela atmosfera de sátira, crime e horror – ainda mais evidentes). O menos típico é “História Real” que trata de sentimentos. Ele veio ao Brasil para lançar seu livro sobre meditação. Basicamente teoria para se ir “mais fundo” e “com mais energia” em realizações criativas tem a ver com estado de espírito em que é preciso se livrar da negatividade. Aqui o ponto, sem pretender fazer um release sobre a passagem do autor e o livro “Em Águas Profundas: Criatividade e Meditação” (Ed. Gryphus). Chegarei lá. Vejo a meditação como condição de esvaziamento para que a gente “ouça” o que não tem nome. Ligação entre o consciente e o inconsciente (ponte entre a racionalidade e a intuição). A abrangência pertence ao corpo (sentidos). Não li o livro de Lynch, mas falo a propósito do assunto. Sinto que o cineasta pensa em ajudar as pessoas, os artistas, a se livrar do estresse e abrir o duto da criatividade. Essa coisa de atitude negativista, venho compreendendo na vida, não ajuda. Até aprecio certo pessimismo que desperta em nós a dúvida metódica, não a do cético que em nada crê, sobre “tempos de espera” para decisões nossas ou de outros. A prontidão vem da educação dos sentidos. Sentidos para ver, ouvir, cheirar, tatear... E o paladar, saber-sapere. O psicanalista Hélio Pelegrino falava em paciência. Meditação sugere esvaziamento e paciência. Relaxamento com vigília, quando se ativa a imaginação (Jung). Identificar-se com o que se realiza. Estar por inteiro aí... A obra como um outro filho que nasce. Meditação: Não precipitar conclusões, desfechos, nem deixar que o fluxo do pensar, em dada direção, seja excessivo... Sei que pode ocorrer, em certos momentos, impulso que nos leva a “agarrar” ou “empurrar”. A compreensão das circunstâncias em que isso acontece pode ajudar na decisão sobre prosseguimento, paralização ou, mesmo, ruptura.
Escrito por Sandoval às 09h41
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EXPLICANDO O BOOM CULTURAL
Vitor Carvalho, o mais sensível e versátil Secretário de Cultura que já tivemos, comenta em meu blog: "Atibaia é uma das poucas cidades do Brasil que dispõe de mecanismos de políticas públicas de Cultura".
Escrito por Sandoval às 19h07
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IPANSOTERA ENSEMBLE PREPARA-SE PARA SE APRESENTAR EM ATIBAIA. ESPAÇOS, AQUI, NÃO FALTAM. ESTAMOS EM ENTENDIMENTOS. PENSAMOS NUMA SUCESSÃO DE ESPETÁCULOS TIPO "TEATRO DE BOLSO" PARA ACONTECER EM CENTROS CULTURAIS, ASSOCIAÇÕES, BIBLIOTECAS, ESCOLAS, ETC. TEATRO ÍNTIMO COM DEBATES.
Escrito por Sandoval às 13h06
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Ano de eleições, aos políticos que estão para chegar
Lembro candidato que não percebe o alcance de uma cultura existencial em nosso mundo mercantil. Como ficam os sentimentos e a intuição? “Minhas ações visam a sobrevivência, não satisfações pela auto-realização” – maneira de reconhecer a própria firma cartorária. Certo que o Deus de cada um não autorizaria isso. O paradigma da auto-sobrevivência, vencendo a qualquer custo, chega a substituir belos sentimentos. Fazer com que prevaleça a quantidade, a utilidade e o “para que serve?” tende a levar a um entupimento nas relações. Obter vantagem em tudo pertence a essa órbita. É quando se encontra justificativa até para os piores comportamentos. O mando desbragado, a gerar dependentes, rende preito à eficácia de objetivos e à eficiência do homo faber. Pensar para agir, ser racional, para não dizer “pelo meu próprio interesse”, nem importa quantos corações e ideais sejam trespassados. “Ajo pelo bem geral”, expressão que pode esconder uma lógica mórbida. Os fazedores de guerras matam sob o argumento da diminuição no número de mortos. Fantasia, sonho, vibrar em comum de forma solidária e amorosa, passam a depender de uma sobrevida a partir de escombros. Ver o outro sempre como problema, esse outro que não atende às nossas expectativas. Não sentir o gosto do prazer é uma boa vida?
Escrito por Sandoval às 10h16
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Cabeça e coração, não só cabeça
A Cultura, instituição pública, mais do que a Educação, é a cabeça e o coração de uma comunidade. Através da Cultura a Educação (establishment) se abre. O arejamento vem da não ocorrência de notas, provas (heteroavaliação); da inexistência de caráter seletivo (o que gera individualismo, competição, violência). A Cultura é abrangente; a Educação, agente. A Educação é burocrática, atenuando-se esse aspecto graças a uma Cultura anárquica. No anárquico – não anarquismo! – tende a haver maior identificação e prazer nas ações. Equivale dizer: responsabilidade. No mundo de hoje burocracia/participação constituem conceito único. A própria Cultura, não obstante o caráter anárquico, precisa de certa estabilidade para não se perder em programas sem contexto, virando só uma programadora de eventos. Necessário um bom paradigma. Algo que dignifique e faça crescer a humanidade que trazemos em nós. Além de um iluminismo, importante é se enriquecer pelos sentimentos, mais do que pela racionalidade.
Escrito por Sandoval às 10h12
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Há sempre o perigo de um ideal caduco de cientificidade. Ter em mente a educação do olhar, ouvir, degustar, cheirar, tatear. Há um modo sensível e estético de se captar o real.
Escrito por Sandoval às 09h42
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NASCEM DE ATOS / NÃO TÃO BANAIS / TALVEZ DEVA TER MAIS / POEMAS DESENTRANHADOS
Escrito por Sandoval às 09h36
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No seio do problema

Escrito por Sandoval às 13h08
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A Mandorla desvendada
De um lado, imagem de pintor veneziano do século 18, Giovanni Battista Tiepolo (1696-1770) - "O Tempo que Desvenda a Verdade"; de outro, as emissoras comerciais de TV, de que é proprietário o primeiro ministro italiano Silvio Berlusconi, e os programas de variedades com bailarinas quase nuas da cintura para cima. O patrimônio histórico da Itália reúne milhares de telas e esculturas em que a nudez é retratada sem nenhum preconceito e com a maior naturalidade artística. A decisão teria partido do grupelho de assessores. Conservadorismo ou algo mais sério? De qualquer modo a dupla moral que nos invade. Seios: pólo estético da sensualidade, segundo os poetas. Sensualidade é crime?
Escrito por Sandoval às 12h12
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